Crítica de Cristian Sales originalmente publicado na Edição nº 2 da Revista Foro Literário, em setembro de 2026

Dizer que a literatura de autoria negra contemporânea no Brasil tem disputado os espaços de consagração editorial já não constitui novidade. A produção e a circulação de romances, contos, poesias e crônicas — atravessadas por diferentes modos de elaboração estética e por outras formas de conceber a experiência, o conhecimento, a arte e a existência — consolidam-se como uma inflexão decisiva no campo literário do país. O desafio crítico que agora se impõe, contudo, excede o reconhecimento dessa ampliação de presença no mercado: exige ler essas produções para além do crivo da representatividade e do testemunho da dor, atentando para o florescimento de textualidades cuja atuação transgressora desestabiliza as formas tradicionais de narrar a experiência negra.

Ao combater o silenciamento e o apagamento das trajetórias negras, a literatura de autoria feminina negra também desafia a hegemonia do cânone e transforma o fazer literário em território aberto a múltiplas dicções, tecidas por novas configurações de ritmo, sintaxe e sentido. Essa literatura volta-se ativamente para o preenchimento e a crítica das lacunas impostas pela estrutura social brasileira, inaugurando novos horizontes temáticos e formais. Em vez de se subordinar à simples lógica da alteridade ou obedecer a matrizes herdadas, tal prosa opera pela multiplicidade, transgredindo a linearidade tradicional para reinventar as formas do narrar.

À medida que conquistam e consolidam seu espaço no cenário literário contemporâneo, essas autoras reconfiguram as arquiteturas do romance e expandem as possibilidades de leitura do mundo em nossa historiografia literária. Com isso, abrem caminhos para que escritas cada vez mais radicais se consolidem, capazes de se apropriar plenamente da história que desejam contar.

Nesse âmbito, a linguagem não apenas descreve ou transmite estados de espírito, mas mobiliza códigos, repertórios e convenções capazes de reinscrever memórias e experiências negras de maneira provocativa. Pautada por maior liberdade e autonomia formal, essa escrita converte a própria desordem e a inventividade em forças de criação. Os romances de autoria feminina negra desenham, assim, modos próprios de existir, fazendo da beleza e do encantamento poéticas de invenção de outros mundos. Não se trata de uma escrita apaziguadora: ao tomar a palavra, a autoria feminina negra desestabiliza expectativas, tensiona o campo literário e convoca o leitor ao confronto com o imprevisto. Entrelaçam relações, memórias e experiências para compor uma outra maneira de escrever, sentir e testemunhar o país — uma maneira insubmissa de ler o mundo e reinventar seus horizontes. É o gesto de abrir fechos, trancas e dobradiças para assentar nossas esperanças. Imbuídas do direito inalienável de falar e narrar, essas autoras assumem plenamente o que a palavra pode lhes oferecer — não apenas em termos de acolhimento e conforto para nossas angústias, mas também na consciência do risco que envolve desorganizar as certezas do presente.

Sob esse arranjo estético, emergem narrativas sensíveis às questões femininas e comprometidas com o fortalecimento de suas redes de solidariedade e desenvolvimento emocional. Assim, ao projetar essas vozes, essa produção amplia seu alcance de público e influencia decisivamente as novas gerações da literatura contemporânea.

Esse engenhoso processo reivindica o ato de escrever como dispositivo de invenção e intervenção na realidade circundante, encenando narrativas nas quais a emancipação pela palavra problematiza o estado de coisas. Além disso, ao nos debruçarmos sobre as temáticas que constituem esse corpus de romances brasileiros de autoria negra e feminina, verificamos que suas autoras abordam questões consolidadas no campo literário, debatidas antes mesmo de as mulheres negras conquistarem o direito à publicação. Contudo, ao tratarem de ancestralidade, memória, afetos, sexualidade, dilemas identitários, deslocamentos, violências e da metalinguagem do próprio fazer literário, essas romancistas reconfiguram tais matérias a partir da perspectiva sociocultural singular da mulher negra.

Percorrendo geografias variadas — do sertão ao Recôncavo, dos terreiros às comunidades, das vilas rurais às periferias e centros urbanos —, escritoras como Conceição Evaristo, Ana Maria Gonçalves, Eliana Alves Cruz, Marilene Felinto, Eliane Marques, Luciany Aparecida, Jarid Arraes, Tatiana Nascimento, Miriam Alves, entre outras, deslocam os eixos da representação tradicional. Ao mobilizar recursos literários que desafiam a captura imediata de significados, tais escritas sustentam a tensão de suas próprias indeterminações, impedindo que as obras se fechem em um sentido único — gesto deliberado para incomodar, provocar e forçar o leitor a encarar aquilo que o pacto social insiste em invisibilizar.

No centro desse debate, o romance de estreia de Calila das Mercês, Nódoa (Companhia das Letras, 2026), surge como um acontecimento estético singular. A obra não apenas consolida o projeto criativo que a autora vinha desenhando desde Planta Oração (2022), mas tensiona, de forma radical, os limites do que entendemos por arquivo, memória e sobrevivência de vidas negras em deslocamento.

Doutora em Literatura pela UnB e pesquisadora de pós-doutorado na Cátedra Olavo Setúbal de Arte, Cultura e Ciência do IEA-USP, onde atuou sob a coordenação da escritora Conceição Evaristo, poeta, escritora, jornalista e pesquisadora baiana, Calila faz de sua ficção uma literatura em que a pesquisa crítica e o rigor conceitual não aparecem como decalques teóricos externos, mas como elementos inteiramente subentendidos na própria malha textual. Autora de Planta oração (Nós) — semifinalista do Prêmio Jabuti de 2023 —, integrou a curadoria da Festa Literária Internacional de Cachoeira em 2024.

Para tanto, o romance recusa a representação documental imediata do cotidiano para se estruturar como um jogo complexo de montagem, desmontagem, lirismo e transitoriedade. Atenta a outras fissuras da realidade, a narrativa mira o espaço rural e desloca os eixos temáticos da família, do amor e da sexualidade para o embate com a exploração do trabalho, as arbitrariedades do latifúndio e as hierarquias de classe.

Nessa ordem de ideias, operam-se importantes fraturas no status quo das sujeitas femininas tradicionalmente representadas, que passam a figurar no centro da cena enquanto gerenciam seus próprios dramas de ordem afetiva e existencial. Em vez de buscar apaziguamentos, a arte realiza-se na própria desestabilização do sentido, afirmando uma sensibilidade singular no campo da autoria feminina. Essa escrita aposta no tensionamento da linguagem e na abertura ao outro, recusando a fixação em categorias ou identidades unívocas.

Paralelamente, a própria diagramação e estrutura de Nódoa desafiam as expectativas de linearidade cronológica do romance tradicional. O livro se inicia pela seção intitulada “MEIO”, que abre com uma colagem de notícias jornalísticas de necrotério, datadas entre 1964 e 2022, sobre homens e mulheres dados como mortos que “ressuscitaram” ou acordaram em necrotérios e velórios. Somente após esse mergulho no limiar entre a vida e a morte é que o leitor é conduzido à seção “COMEÇO”, retornando adiante a um novo “MEIO” para, finalmente, alcançar o paradoxal desfecho também intitulado “COMEÇO”. Essa arquitetura descentrada mimetiza o próprio funcionamento da memória das personagens, que nunca se oferece de maneira íntegra. A narrativa avança por meio de fragmentos que se confrontam: cartas, anotações de cadernos — os “Cadernos de Mundinha” —, relatos orais, rezas e orações. Ao utilizar “restos” e “pedaços” para erguer sua ficção, Calila desmonta as lógicas oficiais e reorganiza a realidade a partir das frestas, convertendo o ato de escrever em jogo de composição lírica.

Desordenar o nó da existência

O ponto de partida dramático dessa arquitetura ficcional é a travessia de Regina e sua irmã Raimunda, Mundinha, rumo a São Paulo nos anos 1960. O ônibus que as transporta sofre um terrível acidente na estrada, e Regina é erroneamente declarada morta, sendo ensacada em uma mortalha de necrotério. O que a salva do sufocamento definitivo é a lembrança tátil do ensinamento de um “nó-nó”, um nó firme costurado perto do nariz — técnica de sobrevivência que aprendera com Dona América, a figura ancestral e maternal que sustenta a cosmologia familiar do romance. É a partir desse “nó do ar” que Regina se fisga de volta à vida. No entanto, ao sair do saco de óbito no hospital, ela se depara com a violência do apagamento burocrático: está sem sua blusa de tricô azul-escura — uma herança afetiva tricotada com Júlia, seu amor interditado no sertão —, sem seus documentos, sem sua irmã Mundinha, que se perde na poeira da tragédia, e sem o seu próprio nome, sendo rebatizada temporariamente no hospital como “Renata”, a renascida: “[…] Ainda estou besta que quase fui enterrada viva. […] Iam me enterrar de um jeito desleixado e ainda sem minha blusa de tricô azul‑escura que Júlia me ajudou a fazer”. (Mercês, 2026, p. 20-21).

A “nódoa” do título assume, assim, uma riqueza polifônica. Ela é a mancha de caju que traiu e marcou o amor secreto e físico de Regina e Júlia sob a rede do quintal em Cajueiro; é a sujeira invisível das roupas de luxo que Lurdinha e as lavadeiras negras clareavam em troca de meio litro de leite; mas é, fundamentalmente, a marca que resiste ao apagamento. O gesto do trabalho não aparece na prosa de Calila apenas como denúncia da exploração social, mas como uma poética do corpo. Como rememora Lurdinha sobre o trabalho com o ferro a brasa:

E depois que abria a roupa na mesa de passar, ela borrifava, fazia uma nuvem de água cair em cima das roupas com a boca. Era suor e saliva. Quando aprendi na escola o que era verbo, entendi que rezar seria o verbo de ação que iria me acompanhar em todos os tempos. (Mercês, 2026, p. 25).

A nódoa é esse vestígio físico engomado com “suor e saliva” que a branquitude e o latifúndio tentam queimar ou apagar, mas que teima em impregnar o tecido da história. Essa mancha de afeto e linguagem traduz-se com nitidez na escuta das próprias vozes que costuram a narrativa:

E a nódoa que ficou na roupa, na alma grudada até hoje? […] O pessoal antigo diz que mancha de dendê não sai, quero ver tirar o nó que inventamos com nossas pernas, aquela nódoa dos nossos shorts, da pele, dos pelos, da blusa de tricô azul-escura, da rede com nosso cheiro. Cajueiro que não sai de mim é Júlia.” (Mercês, 2026, p. 113).

A impregnação do dendê, o cheiro da rede, o atrito da pele e a blusa de tricô deixam de ser simples detalhes cenográficos para se tornarem a própria substância da memória. Diante do soterramento das trajetórias de mulheres como Dona América e Mundinha — cujos registros de vida são queimados pelos herdeiros da fazenda ou perdidos em valas não identificadas —, a literatura de Calila das Mercês ergue um contra-arquivo. Nele, o corpo e o desejo da carne, o chão e o pertencimento da terra, a continuidade da memória na ancestralidade e a matéria viva do mundo que é a natureza extravasam na urgência da enunciação.

É a linguagem das frestas, na qual a água se mistura ao “suco doce do cajueiro laranja-avermelhado” para assentar uma poética impregnada de vida e memória. Desdobradas em enredos e situações concretas, essas existências ganham significação como em um grande mosaico: uma imagem composta por pequenos fragmentos de vida que empreendem suas batalhas para assumir a autoria de seus próprios destinos.

A nódoa e a poética do reencantamento

Em Nódoa, a memória recusa a frieza dos registros cartoriais e ganha corpo no cheiro do cajueiro e do mandacaru, nas marcas que impregnam a pele e na saliva usada pelas lavadeiras para umedecer o tecido antes do toque do ferro quente. Ao recusar a lógica cartorial, a prosa de Calila evidencia como o romance de autoria negra rasura a frieza dos documentos e reinscreve a vida em sua própria linguagem. É o que transparece nos escritos de Mundinha:

Agora quero também entender de lei, dos direitos. Meus. Dos outros. A cabocla é sonhadora, meu senhor, minha senhora. Ainda não sei escrever com as letras menores de doutor. Um dia treino até conseguir. Caligrafia. Para não gritar quando escrevo. (Mercês, 2026, p. 101).

A anotação de Mundinha revela uma política da grafia insubmissa: escrever em letras garrafais é recusa do silenciamento — o grito gráfico de quem reinscreve os próprios direitos. Iluminando os dramas existenciais e a ordem de enunciação de suas protagonistas, esse contra-arquivo deflagra, em meio às cenas corriqueiras do cotidiano, fragmentos de memória num movimento contínuo de idas e vindas.

A aprendizagem do tricô entre Regina e Júlia tece-se, assim, como pedagogia do afeto — espaço em que as personagens reivindicam o direito ao desejo, ao delírio estético e à alacridade:

Antes do Lambari, Júlia inventou um jeito da gente passar mais tempo juntas, disse que iria me ensinar tricô… entre agulhas, linhas e dedos, ela me ensinava era como eu devia tocar… transformar toques úmidos e certeiros em lembranças duradouras… (Mercês, 2026, p. 112).

O aprendizado do tricô tece, assim, a própria pedagogia do desejo. O entrelaçar de agulhas e linhas abre espaço para a descoberta da pele, mostrando que a artesania do texto em Nódoa se fia na mesma matéria dos corpos. Do erotismo molhado entre Regina e Júlia no tanque do Lambari à musicalidade do acordeão do velho Juvêncio e às danças de Mundinha nos bailes, a vivência negra afirma sua autonomia afetiva para além da mera reação contra a opressão. É nesse horizonte que o fazer literário se firma como espaço de desejo, no qual afeto e ficção respondem às urgências das mulheres negras escreviventes do sertão. No romance, a escrita desenha-se na frequência da pele e do cotidiano: cheiro de boca, encontros, suor, beijos, gemidos, sorrisos. Fazer da palavra um exercício diário é, portanto, inscrever a erótica e a vida onde antes vigiavam interdições e silêncio.

O nó do tempo: atar e desatar continuidades e afetos

Com efeito, o trunfo final do livro se revela no entrelaçamento de tempos que deságua em Eulália Ramos, artista plástica contemporânea nascida em São Paulo em 1965, que prepara uma exposição feita de esculturas de nós e torções. Eulália é filha biológica de Mundinha — que desapareceu no emaranhado da ditadura e das violências do campo — e foi adotada e criada pela lavadeira Margarida Ramos, amiga que guardou os segredos e o caderno de Mundinha. Quando a jovem Violeta — filha de Lurdinha e neta do velho Juvêncio — bate à porta do ateliê de Eulália em busca de trabalho como assistente, a fita do tempo se fecha e se abre em um nó perfeito. O ciclo de começos e recomeços se completa não por uma coincidência mágica, mas pela força subterrânea de uma genealogia de mulheres que aprenderam que “escrever é também construir formas de memória”. É essa navegação compartilhada que sustenta a arquitetura da obra, lembrando o ensinamento de Lurdinha de que “um barco até navega sem vela, mas sem gente, gente de verdade, não”. (Mercês, 2026, p. 129).

Ao final da leitura de Nódoa, o que permanece não é a imagem da cicatriz como dor, mas a assinatura de quem se recusa ao esquecimento. Calila das Mercês nos entrega um romance denso, sinestésico e dotado de uma urgência política que se traduz em experimentação da escrita: na espessura e na fricção do texto, transborda uma prosa disruptiva, poética e fabulativa.

Sua estreia faz do nó um princípio de composição: ata tempos, corpos, memórias e experiências femininas, ao mesmo tempo que desata as formas convencionais do romance tradicional.

A prosa de Calila integra o movimento de uma constelação de escritoras negras que rasuram de vez a fôrma dos estereótipos talhados pelo protagonismo masculino na literatura. Não se trata de uma mera reação, mas da afirmação de uma poética em prosa que reinscreve o corpo, a memória e a história sob a perspectiva de quem reivindica a própria voz. Nelas, a autoria feminina forja-se na elaboração viva do corpo, das escolhas e das amarrações mais profundas. É nesse horizonte que a literatura de Calila das Mercês se revela como entrelaçamento de nós.

Em sua poética, o tecido da história é dobrado, torcido e amarrado antes de ser mergulhado na tinta da linguagem. O nó protege a matéria contra o soterramento; a nódoa é o resultado desse atrito — a marca que se fixa na fibra e insiste em permanecer mesmo depois que a amarração se desfaz.

Ao fazer do nó e da nódoa pontos de partida para a reinvenção, Nódoa reconhece a opacidade e os embaraços da memória, acolhe os lampejos do desejo e da alegria e amplia as fronteiras do real contemporâneo. A literatura de Calila não apenas restitui histórias dispersas e invisibilizadas: ela funda um lugar de encontro entre temporalidades, corpos e vozes. É uma escrita que ata e desata, conserva e transforma, inscrevendo na prosa literária a força de uma memória que se recusa a desaparecer. A literatura de autoria feminina negra reencanta a linguagem ao inventá-la e rasurá-la — não para aprisioná-la em definições estáticas, mas para fazê-la ressoar no presente e nos múltiplos futuros em que será lida. É nessa frequência que Nódoa, de Calila das Mercês, assenta-se no lugar fronteiriço, emaranhada no tecido do mundo, acolhendo a hipótese e a incerteza como substância de vida-criação que nem todo nó precisa ser desfeito: alguns precisam ser reconhecidos, outros reatados e outros ainda alinhavados em novas formas de existência.

Referências
MIRANDA, Fernanda. R. Silêncios prEscritos: Estudos de romances de autoras negras brasileiras (1859-2006). Rio de Janeiro: Malê, 2019.
PARADA, Renato. Calila das Mercês. Quatro Cinco Um, São Paulo, 1 nov. 2024. Atualizado em 21 jul. 2025. Disponível em: https://quatrocincoum.com.br/colunas/folha-de-rosto/calila-das-merces/. Acesso em: 10 set. 2026.
MERCÊS, Calila das. Nódoa. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2026. 144 p.
SACRAMENTO, Douglas. Calila das Mercês: “Eu quero assumir as nódoas dessas mulheres, e que não seja algo vergonhoso”. O Odisseu, 2026. Disponível em: https://oodisseu.com.br/calila-das-merces-eu-quero-assumir-as-nodoas-dessas-mulheres-e-que-nao-seja-algo-vergonhoso/. Acesso em: 10 set. 2026.
SALES, Cristian. Escrever é o nó que amarra o tempo. Revista Foro Literário, 21 ago. 2026. Disponível em: https://revistaforoliterario.com/2026/08/21/escrever-e-o-no-que-amarra-o-tempo/. Acesso em: 10 set. 2026.

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Cristian Sales é correspondente Literária – Metropolitano de Salvador. Crítica literária e pós-doutora em Crítica Cultural (UNEB), doutora em Literatura e Cultura (UFBA) e mestre em Estudos de Linguagens (UNEB). Professora do Pós-Crítica/UNEB, pesquisa escritoras e intelectuais negras na América Latina e no Caribe, com foco em autoria, crítica e teoria literária.

Crédito imagem: Calila das Merces por Renato Parada


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